segunda-feira, maio 19, 2014

Dossiê do WHEY PROTEIN: sete alertas antes de inserir o suplemento na sua dieta

Muito popular nas academias por turbinar os resultados da malhação, o suplemento virou alvo de suspeita de profissionais da saúde depois de denúncias de irregularidades. Afinal, para quem o produto é recomendado?

A promessa é tentadora: basta ingerir um pozinho gostoso diluído em água para tornar os resultados dos exercícios (bem) mais eficazes e, assim, conquistar um corpo magro e definido. Por isso, oWhey Protein, nome comercial usado para batizar um composto de proteínas extraído do soro do leite, tornou-se o suplemento mais famoso no mundo das academias durante a última década – e fez muita gente partir para as lojas especializadas a fim de garantir a sua embalagem. Mas quais são os reais ganhos oferecidos pelo produto? De acordo com os especialistas, não há dúvidas de que ele pode, sim, proporcionar muitos benefícios para quem tem o hábito de suar a camisa, especialmente se o objetivo principal for ganhar massa muscular. Por outro lado,o consumo por conta própria pode trazer sérios riscos, comprometendo o funcionamento do fígado e dos rins.

1 – RISCOS AO ORGANISMO
Consumir oWhey por conta própria costuma não render tantos benefícios quanto quando se tem orientação profissional. Mas não é só isso: o uso indevido pode acarretar em uma série de riscos à saúde. Quem tem problemas no coração, nos rins ou no fígado precisa de um acompanhamento ainda mais sério, pois o suplemento usado sem a indicação correta ou em doses muito grandes pode sobrecarregar esses órgãos e comprometer seu funcionamento. O mesmo alerta vale para os diabéticos e os intolerantes à lactose. Nesse último caso, é possível experimentar a versão hidrolisada do Whey, que não temo açúcar do leite na formulação. Em um panorama, digamos, mais otimista, o principal prejuízo do uso indevido do produto é engordar. “Se uma pessoa ingerir uma quantidade de energia maior do que a soma de calorias consumida pelo seu metabolismo e pela prática de atividades físicas, vai ganhar peso, mesmo que esse excesso venha do suplemento”, explica o fisiologista do exercício Sergio Garcia Stella, de Ribeirão Preto (SP). “Por essa razão, ele só deve fazer parte da dieta de quem gasta mais do que ingere.”

2 – PARA QUEM É INDICADO
O Whey é recomendado para praticantes de modalidades intensas e de força, como musculação ou corridas curtas. É válido também para os adeptos do pilates, que foca a definição. No entanto, pegar pesado no treino não faz da pessoa uma candidata ao uso do Whey. Especialistas avisam que quem mantém uma dieta equilibrada, com todos os nutrientes diários necessários - proteínas, carboidratos, minerais e vitaminas—não precisa do suplemento para turbinar a silhueta. E também não adianta tomar Whey se você não malha. O único ganho será de peso e não de massa magra, já que uma colher de sopa do produto tem cerca de 120 calorias (são usadas duas medidas dessas por dia).

3 - POLÊMICA
A popularidade do produto, disseminado nas academias e pelas blogueiras de fitness, chamou a atenção dos órgãos reguladores e de comerciantes. Duas análises recentes alertaram os consumidores.O primeiro caso ocorreu em Londrina (PR), quando o proprietário da loja Atacado do Suplemento enviou 28 marcas para serem avaliadas em um laboratório. E o resultado foi alarmante: 53%das amostras apresentavam valores muito diferentes dos descritos no rótulo (continham porções menores de proteína ou maiores de carboidrato), apesar de todos serem certificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em seguida, veio o segundo alerta: a própria agência realizou uma investigação que a levou a proibir a venda de 20 marcas após confirmar que as doses de proteína e carboidrato também não eram as mesmas das embalagens. Segundo especialistas, a informação incorreta atrapalha o cálculo da quantidade a ser consumida. Ou seja, reduz a eficácia e compromete a saúde do atleta.

4 – COMO FUNCIONA?
“Ele é rico em aminoácidos essenciais, que não são produzidos pelo corpo, e tem uma proteína de alto valor biológico fácil de ser digerida e absorvida pelo organismo”, afirma a nutricionista Fúlvia Hazarabedian, de São Paulo. “Por isso, ele ajuda a recuperar o tecido muscular, facilitando o desenvolvimento e evitando a sua degradação, que pode acontecer por fatores como o excesso de atividades físicas”, conta a nutricionista Priscila Rosa, de São Paulo. Para não confundir, vale ressaltar: o consumo regular do Whey Protein não está relacionado à perda de gordura corporal e, sim (e somente), ao ganho de massa muscular. Fique atento!

5 – CUIDADOS NA HORA DA COMPRA
“Verificar a quantidade de proteínas da sua composição e checar se ele foi aprovado pela Anvisa ainda são as melhores formas de diferenciar um produto bom de um ruim”, diz o médico Jomar Souza, de Salvador (BA), ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. “É preciso também ter cuidado com as marcas muito baratas, que tendem a utilizar matérias-primas que não sejam de primeira ou acrescentar farinha e açúcar na fabricação, o que diminui a eficácia da fórmula”, alerta a nutricionista Simone Maia, do Rio de Janeiro.

6 – ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Para entender se o produto é indicado para você, a dose ideal e a frequência com que deve ser tomado, é indispensável procurar um nutricionista ou endocrinologista. Afinal, não é só uma questão estética, de querer um corpo sarado—a sua saúde é que está em jogo. “Cada indivíduo é único e o corpo humano só consegue absorver até 3 gramas de proteína por quilo de peso. Portanto, uma pessoa de 50 kg tem necessidades diferentes de uma de 90 kg”, explica Simone Maia. Também é preciso levar em conta que uma parte do nutriente proteico presente no Whey já será consumida em sua alimentação diária através de outras fontes, como ovos, queijos e o próprio leite. O profissional ainda terá que fazer uma detalhada avaliação do gasto calórico diário, da quantidade de atividade física praticada e o tipo de treinamento - se é de explosão, de resistência ou de hipertrofia. “O ideal é conversar também com um educador físico, já que são dois trabalhos independentes, mas que se complementam. E aí, só depois, com todos esses dados em mãos é que o especialista poderá dizer se o paciente deve ou não investir na suplementação e ter um pote de Whey em casa”, diz o educador físico Diego Zanon, de Vitória (ES).

7 – DICAS DE CONSUMO
Para quem quer ganhar massa muscular, o produto deve ser tomado com água ou batido com frutas, de preferência, nos intervalos entre as refeições ou depois do treino. Mas, se o objetivo também for emagrecer, vale adicionar o pozinho do Whey nas massas de pães, panquecas e bolos, porque ajuda a garantir a sensação de saciedade. Só tome cuidado com os recheios e acompanhamentos para não comprometer o resultado. Prefira sempre frutas e geleias sem açúcar. Outra dica importante é trocar a marca do produto periodicamente (o médico pode determinar esse tempo) para que o intestino não se “acostume” somente com um tipo de combinação proteica. Essa tática também vale para quem tem acne, por exemplo, que pode ser agravada pelo excesso de vitamina B12.

VEJA AS LISTAS DAS MARCAS QUE SÃO PROIBIDAS (Foto: Divulgação)

AS MARCAS PROIBIDAS
Confira a lista de fabricantes de Whey Protein que tiveram lotes suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa):

• Super NitroWheyNO2 – American Line Suplements
• 3W – Fast Nutrition
• Whey Protein Optimazer – Cyberform
• WheyNO2 Pro Baunilha – Pro Corps
• WheyNO2 Pro – Pro Corps
• Whey 5W Pro – Pro Corps
• Ultra PureWhey+ IsolateWhey - Nutrilatina Age Superior
• ExtremeWhey Protein Sabor Morango – Solaris
• ExtremeWhey Protein Sabor Baunilha - Solaris
• 100% UltraWhey – Ultratech Supplements
• BioWhey Protein – Performance
• Peter Food –WheyNO2 + Creatine
• 100%Whey Xtreme – Pharma
• SuperWhey 100% Pure – IntegralMedica
• SuperWhey3W– IntegralMedica
• FisioWhey ConcentradoNO2
• DesignerWhey Protein
• MuscleWheyProtoNO2 - NeoNutri
• WheyProtein3W–DNA Design Nutrição Avançada
• IsolateWhey – NeoNutri
• Top Fuel - Vulgo Suplementos Indústria de Alimentos

Fonte: Revista Marie Claire por Thais Szegö

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